Enquanto a carniça não fedia
Já houve quem dissesse que Sarney vai atrapalhar muito a vida político-eleitoral do presidente LuLa com a produção inesgotável de escândalos que parecem brotar aos borbotões da boca grande de uma onça.
Não bastassem os escândalos do Senado, a sucessão de denúncias feitas pelo jornal “O Estado de São Paulo” e a trivialidade de processos de corrupção pesando sobre o tesoureiro da família, Fernando Sarney, dois novos torpedos se abatem sobre o clã: a descoberta de que o Ministério das Minas e Energias é administrado por Fernando e Silas Rondeau, já passível de iniciativa judicante do Procurador Geral da República, Roberto Monteiro Gurgel e a agenda misteriosa de Lina Vieira que surgiu das cinzas para confirmar que a ministra Dilma Rousseff convocou a então secretária da Receita Federal para forçá-la a aliviar a barra em torno das investigações das empresas gerenciadas por Fernando Sarney.
A agenda de Lina Vieira pode até não ser mais do interesse da Justiça, tal é o volume de apoios de autoridades em torno dessa candidatura. Mas ela tira muitos votos. A existência da agenda está dizendo que um crime de improbidade administrativa muito grave pode ter sido cometido pela ministra, no caso dela estar mentindo sobre o encontro. E mais: que o governo utiliza o poder do Estado para interferir em favor de pessoas sob investigação do Fisco.
Como era de se esperar, a oposição, agora com a faca e o queijo nas mãos e com o povo de uma Nação surpresa de seu lado, vai investir o que puder para evidenciar o crime de Dilma Rousseff que, se foi cometido, provavelmente tem origem no coração do presidente Lula.
O PSDB está apresentando requerimento à CCJ para que convide Lina Vieira a depor mais uma vez no Senado. Essa pretensão vai ganhar reforço do DEM que até hoje mantém ação no Ministério Público Federal no objetivo de investigar crime de improbidade administrativa de Dilma Rousseff.
A alegação inicial de que a anotação de Lina Vieira referente à data de 9 de outubro de 2008 pode ter sido feita agora, não procede em nenhuma circunstância. A tecnologia - assim como a biogenética é capaz de provar paternidade nos dias de hoje - desvendará esta dúvida, para o bem ou para o mal de Dilma, em questões de segundos.
Outros indícios e circunstâncias de provas podem complicar a vida da ministra que continua afirmando que o encontro não houve. Por exemplo: o levantamento feito pelo senador Romero Jucá indica que Lina Vieira esteve por quatro vezes no Palácio do Planalto em datas que coincidem com a agenda de Lina Vieira. E ninguém explica porque as imagens das câmeras de vídeo relativas a essas datas foram apagadas do sistema de segurança interno do planalto.
Essas são, no entanto, suspeitas que haveriam de pesar sobre a ministra com a presença da agenda ou não. Mas a confirmação de sua existência, com a terrível anotação “dar retorno à ministra sobre família Sarney”, deixa o governo Lula de cócoras pelos constrangimentos legais a que fica sujeito ao colocar o Estado e o poder dele advindo à disposição de sonegadores e autores de quem sabe lá quê outros tipos de crimes contra a Receita Federal. Se queria eleger Dilma tranquilamente, Lula devia ter se afastado de Sarney enquanto a carniça não fedia tanto. Agora pode ser tarde demais. Além do mais, Fernando Sarney cometeu o erro estratégico de colocar o ‘Estadão’ sob censura o que irritou toda a imprensa do país e parte da imprensa do mundo. Com isso, a família Sarney tornou-se alvo preferencial de toda a investigação que o poder de polícia do Estado, também por incursões ministeriais, se negar a fazer. A carniça está fedendo. E vai feder muito mais.
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