Justiça vaqueira
O povo brasileiro sente nas ilhargas a dor concentrada das esporas que fazem pular aos cavalos, correr aos touros e assustar aos cabritos, quando o vaqueiro, acima de qualquer lei, impinge sua superioridade sobre eqüinos, bovinos e caprinos, obrigando-os à castração e enviando os ovos ao espaço. Para deixar claro que não são machos o bastante para desafiar o poder do chicote na vaquejada pisoteante que se realiza quase todos os dias no Supremo Tribunal Federal.
É esse o sentimento que atinge as vítimas sodomizadas nas currutelas jurídicas, enquanto Eros Grau, entre tantos outros graus e tantos outros Eros, assim uniformizado vaqueiro pelo deputado Domingos Dutra, transforma a corte suprema do país num curral de José Sarney, enchendo os alforjes e zombando da consciência nacional.
Outra vez a história, da qual não é ele o único ministro protagonista, de duas ou três decisões mutantes sobre o mesmo fato jurídico, a por em xeque a licitude da própria lei, a deixar patente que crer na Justiça deste país é acreditar na existência de chifres em cabeças de cavalos e crinas em lombos de bois.
E Eia, aiô Silver, avante! O Zorro de barba é um paladino da injustiça porque a dignidade da magistratura é servida no mesmo coxo onde os vaqueiros bem pagos servem ração com ilegalidade, uma mistura indigesta que faz vomitar homens, cavalos e bois.
Difícil discernir entre o que é tribunal e o que é cangalha, entre o que é juiz e o que é vaqueiro, em meio a uma Justiça que em nós coloca arreios, na pertubante vaquejada em que o próprio Supremo Tribunal puxa a lei pelo rabo como se a Constituição do país fosse uma rês.
E o povo brasileiro, posto os estribos nas costas, selado e esporado, balança os chocalhos para que o Senado e a Justiça se divirtam com sua covardia e timidez.
Os magistrados riem, tangendo uma comitiva de muares, conscientes de que são tropeiros de bestas que ainda cumprem decisões judiciais.
“Gado a gente marca, tange ferra, engorda e mata, mas com gente é diferente”. Não no Brasil. Aqui o povo é marcado por seus proprietários, é ferrado na engorda, é tangido a golpes de chicotes, seguindo rotas que desconhece, porque não há valor nas leis escritas. Os vaqueiros, dependendo do desejo dos donos das fazendas, ditam as leis. E a cavalhada segue, a boiada acompanha, a cabritada não berra, convencidas de que isto aqui é uma coivara, um cercado, nunca um país.
O medo, o desespero destes animais encurralados, a descorna, a sensação de impotência diante dos gibões de couro que chamam togas. Um poder acima de qualquer boiada, acima de qualquer multidão de cavalos, a comandar os peões armados da República que fazem cumprir a lei da taca civil, porque neste indigesto momento da História não existem outras leis no Brasil.
Aiô, Silver, avante! O Supremo Tribunal Federal cavalga o povo, tange o gado, porque os fazendeiros senadores precisam descansar.
Triste destino de ouvir berrantes, sem direito de falar. Toca o berrante, Eros Grau.
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
Lula: do 'povo na merda' ao 'povo de merda'
O título lá em cima não é elegante? Não é. Estou adequando o post à fala da personagem de que ele trata. Lula esteve em São Luis do Maranhão para um cerimônia de assinatura de contratos do programa “Minha Casa, Minha Vida”, aquele caça-votos que inventou há alguns meses. E resolveu fazer um discurso à altura do refinamento teórico de seu governo e das esquerdas que lhe dão sustentação.
O povo está “na merda”? O Maranhão de seu aliado Sarney QUE controla o Estado há 40 anos com mão de ferro– o estado brasileiro com o menor Índice de Desenvolvimento Humano do país, embora não sofra, por exemplo, com os problemas da seca – sabe bem o que é isso. Lula, hoje, aliou-se à quase totalidade dos grandes promotores da “merda” em que vivem setores importantes da sociedade brasileira.
O povo está “na merda”? O Maranhão de seu aliado Sarney QUE controla o Estado há 40 anos com mão de ferro– o estado brasileiro com o menor Índice de Desenvolvimento Humano do país, embora não sofra, por exemplo, com os problemas da seca – sabe bem o que é isso. Lula, hoje, aliou-se à quase totalidade dos grandes promotores da “merda” em que vivem setores importantes da sociedade brasileira.
CÚMPLICES DE UM BANDO DE FORA-DA-LEI
Cúmplices de um bando fora-da-lei
Aos fatos. O Estadão começou a publicar em 10 de junho reportagens com informações, amparadas em provas materiais e contundentes, sobre ações ilícitas praticadas por um grupo liderado pelo senador José Sarney. Em 31 de julho, a série foi interrompida pela ressurreição da censura.
A exumação da prática abjeta foi solicitada por Fernando Sarney – filho do chefe e principal executivo do grupo - e concretizada pelo desembargador Dácio Vieira, do Tribunal de Justiça do Distrito Federal. Ex-funcionário do Senado, o bacharel virou figurão do Judiciário por indicação de Sarney. Para fazer a vontade do patrão, invocou o segredo de Justiça e silenciou o jornal.
Depois de admitir a suspeição do desembargador, o tribunal decidiu que o caso seria julgado pelo similar maranhense, controlado por Sarney. O truque pareceu abortado pela notícia de que o Supremo Tribunal Federal resolvera deliberar sobre a pendência.
Embora com injustificável atraso, animaram-se os democratas, a violência seria enfim neutralizada pelo STF. A Constituição proíbe a censura à imprensa. Nenhuma norma jurídica está acima da norma constitucional. Assim pensaram milhões de otimistas até a sessão desta quinta-feira. Por 6 votos a 3, o ultraje foi endossado pelo Supremo.
Pouco importam as alegações dos ministros que aprovaram o prolongamento da censura que já completou 133 dias. Armados de filigranas processuais, consumaram um liberticídio. E se transformaram em cúmplices de um bando fora-da-lei.
Aos fatos. O Estadão começou a publicar em 10 de junho reportagens com informações, amparadas em provas materiais e contundentes, sobre ações ilícitas praticadas por um grupo liderado pelo senador José Sarney. Em 31 de julho, a série foi interrompida pela ressurreição da censura.
A exumação da prática abjeta foi solicitada por Fernando Sarney – filho do chefe e principal executivo do grupo - e concretizada pelo desembargador Dácio Vieira, do Tribunal de Justiça do Distrito Federal. Ex-funcionário do Senado, o bacharel virou figurão do Judiciário por indicação de Sarney. Para fazer a vontade do patrão, invocou o segredo de Justiça e silenciou o jornal.
Depois de admitir a suspeição do desembargador, o tribunal decidiu que o caso seria julgado pelo similar maranhense, controlado por Sarney. O truque pareceu abortado pela notícia de que o Supremo Tribunal Federal resolvera deliberar sobre a pendência.
Embora com injustificável atraso, animaram-se os democratas, a violência seria enfim neutralizada pelo STF. A Constituição proíbe a censura à imprensa. Nenhuma norma jurídica está acima da norma constitucional. Assim pensaram milhões de otimistas até a sessão desta quinta-feira. Por 6 votos a 3, o ultraje foi endossado pelo Supremo.
Pouco importam as alegações dos ministros que aprovaram o prolongamento da censura que já completou 133 dias. Armados de filigranas processuais, consumaram um liberticídio. E se transformaram em cúmplices de um bando fora-da-lei.
enquanto a CARNIÇA não fedia
Enquanto a carniça não fedia
Já houve quem dissesse que Sarney vai atrapalhar muito a vida político-eleitoral do presidente LuLa com a produção inesgotável de escândalos que parecem brotar aos borbotões da boca grande de uma onça.
Não bastassem os escândalos do Senado, a sucessão de denúncias feitas pelo jornal “O Estado de São Paulo” e a trivialidade de processos de corrupção pesando sobre o tesoureiro da família, Fernando Sarney, dois novos torpedos se abatem sobre o clã: a descoberta de que o Ministério das Minas e Energias é administrado por Fernando e Silas Rondeau, já passível de iniciativa judicante do Procurador Geral da República, Roberto Monteiro Gurgel e a agenda misteriosa de Lina Vieira que surgiu das cinzas para confirmar que a ministra Dilma Rousseff convocou a então secretária da Receita Federal para forçá-la a aliviar a barra em torno das investigações das empresas gerenciadas por Fernando Sarney.
A agenda de Lina Vieira pode até não ser mais do interesse da Justiça, tal é o volume de apoios de autoridades em torno dessa candidatura. Mas ela tira muitos votos. A existência da agenda está dizendo que um crime de improbidade administrativa muito grave pode ter sido cometido pela ministra, no caso dela estar mentindo sobre o encontro. E mais: que o governo utiliza o poder do Estado para interferir em favor de pessoas sob investigação do Fisco.
Como era de se esperar, a oposição, agora com a faca e o queijo nas mãos e com o povo de uma Nação surpresa de seu lado, vai investir o que puder para evidenciar o crime de Dilma Rousseff que, se foi cometido, provavelmente tem origem no coração do presidente Lula.
O PSDB está apresentando requerimento à CCJ para que convide Lina Vieira a depor mais uma vez no Senado. Essa pretensão vai ganhar reforço do DEM que até hoje mantém ação no Ministério Público Federal no objetivo de investigar crime de improbidade administrativa de Dilma Rousseff.
A alegação inicial de que a anotação de Lina Vieira referente à data de 9 de outubro de 2008 pode ter sido feita agora, não procede em nenhuma circunstância. A tecnologia - assim como a biogenética é capaz de provar paternidade nos dias de hoje - desvendará esta dúvida, para o bem ou para o mal de Dilma, em questões de segundos.
Outros indícios e circunstâncias de provas podem complicar a vida da ministra que continua afirmando que o encontro não houve. Por exemplo: o levantamento feito pelo senador Romero Jucá indica que Lina Vieira esteve por quatro vezes no Palácio do Planalto em datas que coincidem com a agenda de Lina Vieira. E ninguém explica porque as imagens das câmeras de vídeo relativas a essas datas foram apagadas do sistema de segurança interno do planalto.
Essas são, no entanto, suspeitas que haveriam de pesar sobre a ministra com a presença da agenda ou não. Mas a confirmação de sua existência, com a terrível anotação “dar retorno à ministra sobre família Sarney”, deixa o governo Lula de cócoras pelos constrangimentos legais a que fica sujeito ao colocar o Estado e o poder dele advindo à disposição de sonegadores e autores de quem sabe lá quê outros tipos de crimes contra a Receita Federal. Se queria eleger Dilma tranquilamente, Lula devia ter se afastado de Sarney enquanto a carniça não fedia tanto. Agora pode ser tarde demais. Além do mais, Fernando Sarney cometeu o erro estratégico de colocar o ‘Estadão’ sob censura o que irritou toda a imprensa do país e parte da imprensa do mundo. Com isso, a família Sarney tornou-se alvo preferencial de toda a investigação que o poder de polícia do Estado, também por incursões ministeriais, se negar a fazer. A carniça está fedendo. E vai feder muito mais.
Já houve quem dissesse que Sarney vai atrapalhar muito a vida político-eleitoral do presidente LuLa com a produção inesgotável de escândalos que parecem brotar aos borbotões da boca grande de uma onça.
Não bastassem os escândalos do Senado, a sucessão de denúncias feitas pelo jornal “O Estado de São Paulo” e a trivialidade de processos de corrupção pesando sobre o tesoureiro da família, Fernando Sarney, dois novos torpedos se abatem sobre o clã: a descoberta de que o Ministério das Minas e Energias é administrado por Fernando e Silas Rondeau, já passível de iniciativa judicante do Procurador Geral da República, Roberto Monteiro Gurgel e a agenda misteriosa de Lina Vieira que surgiu das cinzas para confirmar que a ministra Dilma Rousseff convocou a então secretária da Receita Federal para forçá-la a aliviar a barra em torno das investigações das empresas gerenciadas por Fernando Sarney.
A agenda de Lina Vieira pode até não ser mais do interesse da Justiça, tal é o volume de apoios de autoridades em torno dessa candidatura. Mas ela tira muitos votos. A existência da agenda está dizendo que um crime de improbidade administrativa muito grave pode ter sido cometido pela ministra, no caso dela estar mentindo sobre o encontro. E mais: que o governo utiliza o poder do Estado para interferir em favor de pessoas sob investigação do Fisco.
Como era de se esperar, a oposição, agora com a faca e o queijo nas mãos e com o povo de uma Nação surpresa de seu lado, vai investir o que puder para evidenciar o crime de Dilma Rousseff que, se foi cometido, provavelmente tem origem no coração do presidente Lula.
O PSDB está apresentando requerimento à CCJ para que convide Lina Vieira a depor mais uma vez no Senado. Essa pretensão vai ganhar reforço do DEM que até hoje mantém ação no Ministério Público Federal no objetivo de investigar crime de improbidade administrativa de Dilma Rousseff.
A alegação inicial de que a anotação de Lina Vieira referente à data de 9 de outubro de 2008 pode ter sido feita agora, não procede em nenhuma circunstância. A tecnologia - assim como a biogenética é capaz de provar paternidade nos dias de hoje - desvendará esta dúvida, para o bem ou para o mal de Dilma, em questões de segundos.
Outros indícios e circunstâncias de provas podem complicar a vida da ministra que continua afirmando que o encontro não houve. Por exemplo: o levantamento feito pelo senador Romero Jucá indica que Lina Vieira esteve por quatro vezes no Palácio do Planalto em datas que coincidem com a agenda de Lina Vieira. E ninguém explica porque as imagens das câmeras de vídeo relativas a essas datas foram apagadas do sistema de segurança interno do planalto.
Essas são, no entanto, suspeitas que haveriam de pesar sobre a ministra com a presença da agenda ou não. Mas a confirmação de sua existência, com a terrível anotação “dar retorno à ministra sobre família Sarney”, deixa o governo Lula de cócoras pelos constrangimentos legais a que fica sujeito ao colocar o Estado e o poder dele advindo à disposição de sonegadores e autores de quem sabe lá quê outros tipos de crimes contra a Receita Federal. Se queria eleger Dilma tranquilamente, Lula devia ter se afastado de Sarney enquanto a carniça não fedia tanto. Agora pode ser tarde demais. Além do mais, Fernando Sarney cometeu o erro estratégico de colocar o ‘Estadão’ sob censura o que irritou toda a imprensa do país e parte da imprensa do mundo. Com isso, a família Sarney tornou-se alvo preferencial de toda a investigação que o poder de polícia do Estado, também por incursões ministeriais, se negar a fazer. A carniça está fedendo. E vai feder muito mais.
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